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Mentalidade

Nunca é tarde: concurso depois dos 40 e dos 50

A história da minha mãe, as mensagens que eu recebo todos os dias e o que eu respondo a quem acha que o tempo já passou.

Por Filipe com Fé6 min de leitura

Toda vez que eu falo da minha mãe no Instagram, a caixa de mensagens enche. E quase sempre as mensagens têm a mesma pergunta escondida: “será que ainda dá tempo para mim?”.

Estou eu aqui aos 56 anos, cogitando se terei coragem de dar a cara no estudo e realizar meu sonho.L., 56 anos, comentário no Instagram
Eu tenho 42 anos, fui funcionária pública municipal por 20 anos, hoje estou estudando para um concurso federal. Recomeçando...I., 42 anos, comentário no Instagram
E eu achando que, com 30 anos, engenheiro, pós, 6 anos de experiência no mercado, estou atrasado para entrar no concurso.M., 30 anos, comentário no Instagram

A história que eu mais gosto de contar

A minha mãe voltou a estudar aos 45 anos, sem o ensino fundamental completo. Ela foi uma das alunas do Projeto Social Mudando de Vida, o projeto gratuito que eu coordenei por mais de uma década. Aos 50, foi aprovada para Assistente Administrativo na EBSERH. Depois, aos 54, conquistou também um cargo de nível superior.

Ela não tinha nenhum sinal visível de que aquilo daria certo. Nem eu, que era o aluno que sentava no fundo da sala e não gostava de estudar. A descrença, na maioria das vezes, não é falta de capacidade. É falta de referência. Se for o seu caso, use a nossa enquanto você constrói a sua.

A fila do concurseiro

Gosto de imaginar que existe uma fila para a aprovação. Os mais preparados vão classificando, tomando posse e saindo da fila. Quem fica, anda para a frente. E existe um segundo movimento, mais silencioso: a maioria das pessoas não sai da fila por aprovação, sai por desistência.

Isso quer dizer uma coisa muito importante para quem começa mais tarde: só de continuar, mês após mês, você sobe de posição. Existem apenas duas maneiras de sair dessa fila: classificando ou desistindo. A primeira depende de método e de tempo. A segunda depende só de você.

O tempo vai passar de qualquer jeito

É o argumento que eu uso comigo mesmo e com quem me escreve. Daqui a cinco anos você vai ter cinco anos a mais, tendo tentado ou não. A única coisa em disputa é onde esses cinco anos vão te deixar: mais perto, com conteúdo dominado e a consciência tranquila, ou exatamente no mesmo lugar, com a pergunta “e se eu tivesse tentado?”.

Eu consegui com 58 anos tomar posse num cargo público de ensino superior.Comentário no Instagram

O que muda depois dos 40, na prática

  • A maturidade joga a seu favor. Disciplina, leitura atenta e responsabilidade com prazo pesam muito em prova de concurso.
  • Comece pelas matérias-base. Português, Redação, Raciocínio Lógico e Informática caem em quase todo edital, e ninguém tira isso de você.
  • Faça a conta das suas horas reais. Com família e trabalho, a tabela precisa caber na vida. O planejador gratuito faz essa conta com você.
  • Transforme o estudo em pacto familiar. Combine com a sua casa quantas horas vai estudar e o que cada um ganha quando a aprovação chegar.
  • Confira os requisitos do edital. Algumas carreiras, principalmente policiais e militares, podem ter limite de idade previsto em lei e no edital. Na maioria dos cargos administrativos e de tribunais, a nota é o que decide.

Fé para começar antes de ver

Porque andamos por fé e não por vista.2 Coríntios 5:7 (ARC)

Quando você começa, não existe nada visível para sustentar a sua confiança: nenhum nome no Diário Oficial, nenhuma nota, nenhuma classificação. Existe um edital, uma cadeira e um objetivo. Andar por fé, no concurso, não é esperar que Deus preencha o gabarito por você. É continuar estudando no dia em que nada indica que vai dar certo. Vista é aquilo que já se pode ver. Fé é aquilo que se decide fazer antes de ver.

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Filipe com Fé

Filipe com FéAnalista Judiciário no TJRJ. Foram 11 anos de estudo e 5 aprovações em concursos públicos: Colégio Pedro II, Polícia Federal, UFRJ, STM e TJRJ. Autor do livro Fé, Foco e Aprovação.

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